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CERTEIRO

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CERTEIRO

Quando o tiro pega na veia que pulsava,

E ainda quando a mira é adelgaçada

Em meio ao breu consciente, intuída, mais nada,

É espantoso olhar a pena do alvo que voava.

 

Sim, era esperado, do contrário, não atirava!

Mas é que há um num sei quê ao ver a armada

Conectar da base da pólvora cinza papocada

Com o destino do projétil que também a almejava!

 

Ainda que se repita um infinito e mais,

Realiza quando acontecem, são sempre especiais,

Esses encontros da bala com a caça.

 

A história no sangue da ave,

A memória do superado entrave,

O caçador, comendo, disfarça.

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dIÊGO mELO oLIVEIRA, novos sonetos, 2016

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Esticadores de Horizontes

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Felipe Feijão

Grupo Socializando

A Agência de Informação Frei Tito para América Latina (ADITAL) está realizando uma série de 24 reportagens multimídias com o objetivo de expor para a sociedade as diversificadas experiências vivenciadas por jovens na maioria das vezes advindos da periferia de Fortaleza. O nome do projeto provém de uma licença poética de Manuel de Barros, e de fato, muito representa e significa, pois somente através de um trabalho prático de conscientização é possível ampliar a visão de mundo e de futuro do público trabalhado.

A série abrange variados temas como cultura, esporte, cidadania, educação, comunicação, trabalho, violências, saúde e espiritualidade. São apresentados os trabalhos de ONGs que foram protagonistas na fase mais crítica ou de risco da vida dos jovens. É interessante que quando num primeiro momento me deparei com as reportagens um olhar crítico e preconceituoso pareceu querer prevalecer em minhas reflexões, mas ao longo das semanas e ao longo das variadas situações apresentadas, percebi a grande importância do trabalho desenvolvido.

As pessoas entrevistadas por vezes vítimas de desestruturação familiar, morte de pais, saídas de casa, rompimentos com a família, ou simplesmente do condicionamento social no qual estavam inseridas descambaram em privação de liberdade e o relato dessas experiências é impressionante. A partir daí, acredito que analisando equilibradamente a situação de vida e as inúmeras causas para aquela triste situação, o preconceito e o pré-julgamento se esvaem pelo ralo de uma visão conservadora e estritamente encerrada num mundo individualista e particular.

Imaginar que o que aqueles jovens relataram enquanto estavam livres e do padecimento quando estavam em restrição de liberdade, possivelmente ainda é realidade na vida de muitos outros, é uma constatação lamentável. Mas felizmente o trabalho corajoso e entusiasta de ONGs, foi e continua sendo responsável majoritariamente pela reviravolta na vida dos entrevistados. E o mais relevante nessa tarefa foi o fator determinante de conscientização que atuou e que continua atuando agora em jovens que possuem uma nova oportunidade na vida.

As fortes realidades relatadas expressam um testemunho social que precisa ser ouvido e concebido como experiências pessoais que consequentemente influenciaram na vida comunitária daqueles jovens num primeiro momento transtornada e agora, numa melhor condição. Esse testemunho serve de exemplo e reflete a possibilidade de mudança mesmo quando se atravessa caminhos tortuosos pelas mais diferentes causas. Quem sabe o anseio que permeia e que serve de norte para a Esticadores de Horizontes possa atingir, de fato, o poder público com a finalidade de desenvolvimento de políticas voltadas para a juventude e dessa forma se torne o impulso de mais e mais séries como essa. Sem olhar avaliador ou preconceituoso, às vezes a quebra de alguns paradigmas que se sustentam como verdades absolutas, representam uma abertura a amplitude de discussões e de temas que estão aí e esperam reações e envolvimentos.

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Para saber mais sobre o Projeto :

>>> www.esticadoresdehorizontes.com

Escola com partido

Felipe Augustoservletrecuperafoto

Grupo Socializando

 

 

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Diante do afloramento do programa Escola Sem Partido é preciso expor algumas considerações concernentes à temática. A possível inclusão dessa proposta na educação brasileira tem dividido posicionamentos e opiniões. Entretanto, é necessário pela ótica do equilíbrio examinar a real situação das consequências da adoção do programa.

Propor a normatização do comportamento que os professores deverão obedecer quanto à conduta no que diz respeito à exposição de interesses, opiniões, preferências ideológicas, religiosas, políticas e partidárias, é o prenúncio do estabelecimento de um professor robô, programado estritamente para transmitir conteúdos técnicos.

Isso é preocupante porque, querer a vigência da Escola Sem Partido se assemelha ao desejo frustrado de, Inutilmente, estereotipar a dissociação da política das relações sociais. Se por um lado existem acusações de doutrinamento ideológico nas escolas, por outro lado, o que é difícil acontecer é que a transmissão do conhecimento atinja os alunos desprovida das exposições amplas e abrangentes dos professores.

Com efeito, aparentemente a própria estrutura educacional brasileira, carrega marcas diretas ou indiretas da conjuntura social na qual está inserida, daí porque a desvinculação das raízes postuladas na gênese propulsora da manutenção estrutural se torna uma hipótese patética. Felizmente, se a concepção da base construtora da educação num país encontra sua mola de impulso não somente na promoção de um ou outro governo temporal, a constatação de um alicerce firmado no livre debate das ideias se torna justificável.

Se a existência de escolas que formam máquinas para passar no vestibular, já acarreta um possível déficit nos futuros profissionais e nas futuras pessoas que se tornarão o mínimo de valorização que se pode almejar tanto nas escolas que programam máquinas quanto na escola que ainda sobrevive de valores mais humanos é a discussão, o debate e a troca de ideias. Esse deve ser o partido da escola.

Sem doutrinamento ideológico, sem professores fazendo da sala de aula um palanque, embora não haja, de fato, comprovação de tais ocorrências. Mas ainda sob a ótica do equilíbrio, é inevitável que a expressão seja postada, não somente no que se refere ao docente, mas também em qualquer exercício de outra atividade. Vale lembrar que o livre direito de expressão está assegurado e positivado constitucionalmente.

Se, no Brasil, com a liberdade que as escolas dispõem de debate, a configuração política se encontra num estado enorme de desgaste e de descrédito, será que com uma escola sem partido esse quadro seria revertido? É imprescindível tomar partido pela escola para que num futuro próximo o País não se assemelhe a sistemas governamentais fechados e ditatoriais.

Uma esquerda latino-americana sem ecologia cairá de novo na crise dos progressismos

Correio da Cidadaniacorreio da cidadania

Grupo Socializando

 

marx ecologico
Comecemos colocando com clareza algumas questões recentes nas relações entre a esquerda e o meio ambiente na América Latina: os progressismos governantes atualmente são regimes políticos distintos das esquerdas que lhes deram origem. Nessa diferenciação, a incapacidade de abordar a temática ambiental cumpriu alguns papeis-chaves. Assim, qualquer renovação da esquerda só é possível ao incorporar um olhar ecológico. Caso contrário, a esquerda voltará a cair em meros progressismos.

 

As esquerdas latino-americanas, pelo menos desde a década de 70, tiveram enormes dificuldades em aceitar e abordar a problemática ambiental. Uns viam esses temas como excentricidades burguesas importadas do norte; outros consideravam que entorpeceriam planos de industrialização; e, finalmente, estavam os que entendiam que na militância, por exemplo, nas fábricas, era inviável atender a questões ecológicas.

 

Mas também existiam alguns grupos que abordavam essas questões por diversas razões. Uns respondiam a demandas cidadãs. Por exemplo: as que partiam de organizações camponesas que denunciavam tanto injustiças econômicas como a contaminação de suas terras e águas. Outros entendiam que uma crítica radical ao capitalismo era incompleta se não fosse considerado o papel subordinado da América Latina como provedora de matérias-primas (ou seja, recursos naturais). Podem se somar outras questões, mas deve-se reconhecer que todos eles desempenhavam papeis secundários no seio da maior parte das organizações políticas de esquerda.

 

As coisas não eram melhores em nível internacional. Fosse em agrupamentos partidários ou na reflexão teórica, a questão ambiental era minimizada ou marginalizada. Houve esforços intensos para jogá-la debaixo dos tapetes. Por exemplo, um marxismo de cunho ecológico (como é a proposta de John Bellamy Foster) ou a insistência em um ecossocialismo (apontado por Michael Löwy) tiveram impactos restritos.

 

Uma mudança substancial ocorreu no final dos anos 90 e princípios da década de 2000. Boa parte do ambientalismo politicamente militante colaborou, apoiou ou participou diretamente de conglomerados das esquerdas mais amplas e plurais que lutavam contra governos conservadores e posturas neoliberais. Em vários países esses grupos ganharam eleições. Houve um aporte ambientalista nas vitórias da Alianza Pais no Equador, do PT e seus aliados no Brasil, do MAS na Bolívia e da Frente Ampla no Uruguai. Em menor medida, na Venezuela.

 

Nos planos daquelas esquerdas se incorporavam temas ambientais, em vários casos com muita sofisticação ao propor mudanças radicais nas estratégias de desenvolvimento, ordenamento territorial ou manejo de impactos ambientais. Uns quantos ambientalistas entraram nesses novos governos e desde então se lançaram algumas iniciativas dignas de nota.

 

O caso mais destacado ocorreu no Equador, onde os militantes verdes colheram algumas conquistas notáveis. Foram essenciais em instalar, por exemplo, a proposta de uma moratória petroleira na Amazônia, não apenas como defesa de sua biodiversidade, mas também como um aporte para a mudança da matriz energética. Eles também representaram um apoio chave no reconhecimento dos Direitos da Natureza na nova Constituição equatoriana, transformando-a na mais avançada do mundo nessa matéria. A esquerda dos países do Cone Sul (Argentina, Chile e Uruguai) não ponderou como devia a questão das inovações ambientais do primeiro governo de Rafael Correa.

 

Mas o problema é que essa relação entre os novos governos e a temática ambiental começou a crepitar. Esses administradores optaram por estratégias de desenvolvimento onde se priorizavam a metas econômicas, às custas de altos impactos ambientais. Suas expressões mais claras foram as monoculturas, a mineração e a exploração petroleira. Foi gerada uma relação perversa, já que à medida que mais se aprofunda esse perfil extrativista, menos podem ser atendidas as questões ambientais, e mais protestos e resistências cidadãs se acumulam. Muitos ambientalistas que estavam dentro dos governos se afastaram e os que permaneceram se desprenderam de seus compromissos com a natureza. Algo similar ocorreu em outras áreas, especialmente nas políticas sociais. É desta maneira que estava em marcha a divergência entre as esquerdas plurais e abertas iniciais e um novo estilo político, o chamado progressismo.

 

A maturação no sentido do progressismo ocorreu em todos os países. Apesar de que em alguns casos se citava Marx ou Lênin, em todos se acentuou a subordinação aos mercados globais como provedores de matérias-primas, os planos de ataque à pobreza se enforcaram, sobretudo em pacotes de assistências monetizadas, e se romperam as relações com muitos movimentos sociais. Esse progressismo não é neoliberal, mas está claro que abandonou os compromissos daquelas esquerdas iniciais em questões como a radicalização da democracia, a ampliação das dimensões da justiça e a proteção do patrimônio ecológico.

 

Hoje se admite que esse progressismo está em crise, como é evidente no Brasil, e inclusive perdeu eleições nacionais (Argentina) e regionais (Bolívia). Mas passou despercebido para alguns que nessa diferenciação entre esquerdas e progressismos a temática ambiental jogou um papel-chave. O progressismo aceitou os impactos ambientais dos extrativismos, já que priorizou como opção econômica a exportação de matérias-primas. Por sua vez, à medida que escalava a resistência cidadã a tais empreendimentos, os regimes passaram a ignorar, rechaçar e até criminalizar as organizações da sociedade que punham em evidência os impactos negativos destes extrativismos.

 

Há muita pouca da sensibilidade social de esquerda em um governo que impõe a comunidades camponesas um projeto de megamineiração ou force a entrada de petroleiras dentro de terras indígenas, ou ameace exilar membros de ONGs que alertam sobre esses impactos.

 

Os progressismos, à medida que mais se distanciam da esquerda, mais se fundem em contradições teóricas e práticas. Não se duvidou, assim, em apelar a misturas bizarras entre citações marxistas e denúncias ao imperialismo, junto de acordos comerciais com empresas transnacionais que levavam seus recursos naturais e humanos. Invocavam o povo, mas não hesitaram em criminalizar os protestos sociais e inclusive em alguns casos passaram à repressão aberta.

 

A lição destas experiências é que a ausência de uma dimensão ambiental na esquerda, na América Latina e neste momento histórico, não constitui um pequeno déficit. Pelo contrário, é um dos fatores que explica porque a esquerda perdeu sua essência para transformar-se em meros progressismos.

 

No entanto, uma esquerda própria do nosso continente deve abordar as questões ambientais porque a América Latina se caracteriza por uma enorme riqueza ecológica. Aqui se encontram as maiores reservas de áreas naturais e as maiores disponibilidades de solos agrícolas. O uso que se faz desse patrimônio ambiental não só envolve as necessidades de nossa população, mas nutre múltiplas cadeias produtivas globais com enormes repercussões geopolíticas.

 

Ademais, uma esquerda do século 21 deve ser ecológica porque a atual evidência indica, sem lugar a dúvidas, que estamos superexplorando esses recursos, que as capacidades do planeta para lidar com os impactos ambientais foram excedidas e problemas planetários como as mudanças climáticas já estão se manifestando. Portanto, pensar uma esquerda sem ecologia seria uma aposta desconectada da América Latina e da conjuntura atual.

 

Finalmente, o compromisso desta nova esquerda está na justiça social e ambiental, onde uma não pode ser alcançada sem a outra. Isto permite um reencontro com muitos movimentos sociais, um redescobrimento dos problemas reais das estratégias de desenvolvimento atuais e um chamado à renovação teórica. É por isso que nessa íntima associação entre a justiça social e ambiental estão os maiores desafios para a renovação das esquerdas na América Latina.

Eduardo Gudynas é analista da CLAES (Centro Latino Americano de Ecologia Social) em Montevidéu.

Traduzido por Raphael Sanz, do Correio da Cidadania.

Fonte: Correio da Cidadania

http://www.correiocidadania.com.br/

 

Matemática sem Partido

Correio da Cidadaniacorreio da cidadania

Grupo Socializando

 

– Bom dia, professor, aqui é Luíza, do Departamento de Desideologização de Material Didático da editora.

– Bom dia, Luíza. Em que posso ajudar?

– É sobre algumas modificações que precisamos que sejam feitas no seu livro.

– Mas eu sou professor de matemática, filha…

– Sim, mas tem uns problemas.

– Meu livro é para o ensino fundamental…

– Então. O seu caso é simples, o senhor vai ver.

 

– Fale…

– Logo no início, nos exercícios de adição. Tem o exercício 6 na página 23, “João não conseguia dormir, então começou a contar os carneirinhos que, na sua imaginação, pulavam uma cerca”.

– E qual o problema?

– O problema é que os carneirinhos pulando a cerca são uma crítica velada aos enclosementsingleses e uma referência à acumulação primitiva do capital. Propomos mudar para “franguinhos entrando no navio, que o pujante agronegócio brasileiro exporta para a Europa”.

– Ninguém conta frangos para dormir.

– Justo, por causa da ideologia que sataniza o produtores rurais que põem comida na nossa mesa. Tem outro, mais para frente, na página 32, o exercício 7 diz que “Rita tinha 18 bananas e comeu 4”. Bananas é uma referência ao Brasil como uma Banana Republic, não pode.

– Troca por laranjas.

– Aí seria uma crítica aos prestadores de serviço financeiros que ajudam os empresários a impedir que o governo tome seu dinheiro através dos impostos. Trocamos por abacaxis.

– Abacaxis? Ninguém come quatro abacaxis.

– Sim, também trocamos “comeu 4” por “vendeu 4 livremente realizando um justo lucro por seu esforço”.

– As crianças de 8 anos vão entender isso?

– Vão entender se for explicado, se a ideologia deixar de ocultar delas como as relações comerciais fazem justiça a quem produz.

– Ah, tá. Mais alguma coisa?

– Tem mais umas coisinhas, eu mando por e-mail. Mas o mais grave é a parte final do livro. Precisamos marcar uma reunião para rever os capítulos 7 e 8.

– Divisão?

– Isso. Divisão é um conceito marxista que não pode ser usado para doutrinar as criancinhas.

– Mas como as crianças vão aprender aritmética sem divisão?

– Nossos especialistas estão finalizando uma proposta. A ideia geral é mostrar que a divisão pode ser correta, desde que a operação reflita que, por exemplo, 100 reais divididos por 100 pessoas resultem em 99 reais para uma e o real restante dividido entre as outras 99.

– Mas isso acaba com a Matemática!

– Acaba com a Matemática Igualitária e Comunista que imperou até hoje, professor, e a substitui por uma matemática mais justa! Já temos até um projeto de lei para ser apresentado ao Congresso, tornando obrigatório o ensino da Matemática Meritocrática!

 

“Paulo Candido é apenas um observador inocente. Vive no Rio, onde faz samba e amor até mais tarde”.

Fonte: Correio da Cidadania

http://www.correiocidadania.com.br/

O que aconteceu na Turquia? Por que os militares tentaram tomar o poder?

Opera Mundi

Grupo Socializando

Após uma série golpes militares reais no passado, o povo turco agora reage a qualquer sinal de intervenção militar com a mesma preocupação imediata de um paciente pós-câncer que descobre um pequeno nódulo

O que aconteceu? O que precisamos saber?

Na noite de 15 de julho, um grupo de soldados turcos assumiu o controle de várias instituições em Istambul e Ancara, no que parece ter sido uma tentativa de golpe mal planejada. As forças policiais – auxiliadas por um grande número de cidadãos ordinários turcos– conseguiram frustrar o golpe. Chamados às ruas pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, enormes grupos de homens tomaram as ruas para impedir as unidades do exército de entrarem em prédios governamentais. O golpe foi declarado encerrado na manhã do dia 16 de julho.

Então, o povo turco apoia o presidente Erdogan?

Graças a uma longa história de golpes militares, o ódio do povo turco a intervenções militares é muito maior do que sua aversão ao seu líder autocrático. Turcos de todos os espectros políticos compartilham o mesmo sentimento de que até uma péssima democracia é melhor do que um governo militar.

Por que os militares tentaram tomar o poder?

A explicação muda de acordo com em quem você escolhe acreditar.

Uma declaração supostamente feita pelos militares alega que seu propósito era “reinstituir a ordem constitucional, a democracia, os direitos humanos e as liberdades”. Porém, o presidente Erdogan e sua rede midiática pró-governo bombardearam o povo turco com alegações de que o golpe foi obra de um grupo clandestino, que teria infiltrado todos os órgãos estatais, organizado por um clérigo muçulmano chamado Fethullah Gülen, que é aposentado e vive na Pensilvânia. Pouca evidência sólida dessa conspiração foi apresentada até o momento.

Gülen negou qualquer envolvimento. De fato, ele e outros grupos oposicionistas alegam que o golpe foi, na verdade, orquestrado por Erdogan como desculpa para subjugar a oposição política e definitivamente mudar o sistema governamental da Turquia para uma presidência executiva (o que, na prática, tornaria Erdogan um sultão moderno). Essa explicação também não é inteiramente convincente – a alegação de que Erdogan planejou um falso golpe contra seu próprio governo para extirpar a oposição de dentro do exército e do Supremo Tribunal é muito grande para se levar em conta.

O que o povo turco acha?

A Turquia está extremamente polarizada. Metade a população acredita em qualquer coisa que o presidente diga, enquanto a outra metade tende a acreditar no oposto. Posições a favor e contra o regime de Erdogan tornaram-se tão enraizadas que não há como convencer qualquer lado com evidência e lógica.

Erdogan é como quiabo: algumas pessoas o amam intensamente; para outras, ele é nojento. Ninguém na Turquia é imparcial quando se trata do presidente.

De onde vem essa divisão na opinião pública?

Clivagens sociais tradicionais na Turquia incluem religiosos contra laicos, turcos contra curdos e periferias pobres contra centros urbanos ricos. Junto com a Primavera Árabe e a investigação de corrupção de 2013, surgiu uma nova cisão: pró-Erdoganismo e anti-Erdoganismo.

O ponto culminante dessa separação ocorreu em maio de 2013. Erdogan queria demolir um parque da era republicana na praça Taksim de Istambul e reconstruir um quartel da era otomana, que também incluía uma mesquita. Apesar de a Praça Taksim ser um símbolo do kemalismo secular de esquerda, muitas pessoas religiosas juntaram-se ao que, depois, ficou conhecido como a Revolta do Parque Gezi para preservar o parque como ele é. Naquele momento, secularistas, kemalistas, curdos, alevitas e grupos religiosos – incluindo o Movimento Gülen – cristalizaram sua coalizão contra Erdogan.

Infelizmente, esse setor da sociedade turca só é capaz de concordar em sua oposição a Erdogan, e em nada mais. Portanto, eles não foram capazes de criar uma aliança política que pudesse diminuir o forte controle dele sobre o poder.

Fonte: Opera Mundi

http://operamundi.uol.com.br/

 

Escalada do terror

Felipe Augusto servletrecuperafoto

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Os últimos dias se têm mostrado cheios de acontecimentos tumultuosos. O terrorismo voltou a dar seu recado na França. Na Turquia houve tentativa de golpe de Estado. Em Fortaleza, morte de policiais e incêndio de vários ônibus. Estamos em meio a tudo isso, anestesiados num estado de alerta ameaçador e preocupante.

Faltando pouco mais de duas semanas para as olimpíadas do Rio, não se descarta o medo de um ataque terrorista ao País. Com todas as atenções voltadas para cá, turistas e impressa em peso, um atentado seria um prato cheio para quem parece buscar holofotes. Infelizmente, o objetivo obscuro e trágico, da ideologia terrorista, segue causando vítimas e mais vítimas.

A força silenciosa e o poder camuflado desses grupos resultam numa ação eficiente e devastadora. E a estratégia bem organizada e programada concede sua proliferação e chama a atenção de jovens sedentos de um ideal revolucionário. Combinação que até agora tem dado certo.
Uma vez em campo, os terroristas cumprem seu objetivo. Ao mesmo tempo em que é preciso entender que há todo um contexto social em que os indivíduos componentes se encontram imersos, faz bem saber que existem simpatizantes e ingressantes provenientes de outras culturas, posto que a ideologia terrorista não faz distinção de nacionalidades, religiões ou povos. Todos que não fizerem parte do seu propósito são inimigos.

Imagem: Internet 

O terrorismo é um dos muitos pesadelos atuais. Um pesadelo que cada vez mais está se tornando realidade. Indubitavelmente, é preciso que as forças de segurança estejam preparadas e que a segurança seja reforçada nos lugares que estão sob alerta.

Entretanto, essa solução é momentânea e superficial. Há algo bem mais profundo e complexo que impulsiona essa onda de barbárie. A profundidade abstrusa não será estancada da noite para o dia nem com polícia ou exército. Os dados gritantes que estão aí apontam para um estado de alerta global. Infelizmente, estamos reféns do terror.

Se a perca dos territórios invadidos estava sendo motivo para considerar o enfraquecimento do Estado Islâmico, os últimos atentados mostram que não, o EI está ficando mais forte e mais expansivo. O EI ocupa territórios, tem infraestrutura, tem armas, então é preciso confrontá-los. E depois combater a ideologia radical e fundamentalista que é o alicerce do EI.

A carência mundial de novas ideias revolucionárias, quando encontra aparato em extremismos como esse, se preenche. E essa luta do “bem” contra o “mal” seduz, sobretudo, os jovens. É preciso barrar a escalada do terror, antes que novos objetivos sejam alcançados.