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A Consciência nos seus diversos percursos: caminhos para a civilização, realização e plenificação humana – II

Isaias Mendes Barbosa* 13566965_1380277941985526_8079302081779231078_n

A Consciência a partir da tradição bíblico-testamentária.

 

Na tradição bíblico testamentária encontramos os passos dessa “Consciência”. De modo geral podemos destacar três modos de “Consciência” que se manifesta no percurso e trajetória do povo de Deus.  É importante observa que na experiência religiosa cristã, desde sua tradição religiosa-hebraico-judaica, a humanidade passa por diversos estágios dessa “Consciência”, ora evoluindo, ora regredindo. Isso porque, as questões histórico-culturais, e os condicionamentos de cada época são determinantes para esse processo. Porém, apresenta-se, aqui, os pontos mais gerais e significativos dessa trajetória.

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Nos escritos do primeiro testamento (Gênese e Êxodo) encontramos vários pontos significativos e determinantes da consciência humana. O primeiro é a experiência de Abraão com Deus (Gn11, 1-3). Neste aspecto a “Consciência” deslumbra um novo horizonte, de desprendimento da terra, da nação e da família. Esse desapego denota um uma nova visão de mundo que Deus quer implantar: a visão de “Povo” que caminha com Deus (Eu farei de ti um grande povo). Há uma maximização da “Consciência” a partir de uma experiência com Deus. Após esse primeiro episódio destaca-se outra personalidade bíblica, a saber, Moisés com a experiência de Deus, na sarça ardente (Ex3, 1-16). Trata-se da experiência central da tradição cristã: a Revelação de Deus.

Nesse contexto a “Consciência” atinge uma criticidade e maturidade fundamental por meio de Deus: “Eu vi, eu vi a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi seu grito por causa dos seus opressores; pois eu conheço as suas angustias. Por isso desci afim de libertá-lo das mãos dos egípcios”. Apesar da amplitude e progresso dessa revelação, a mentalidade desse povo ainda tateia por caminhos tortuosos. A pretensão da “Consciência” divina reveladas é para uma profunda libertação humana. Não se trata somente da liberdade da escravidão submetida à opressão de um Rei egípcio, mas de tudo aquilo que afasta a humanidade de sua verdadeira felicidade.  Por isso é que se instaura a experiência no deserto: para que o povo tome consciência de seus apegos, dependências das coisas inferiores a Deus e para que o mesmo não exceda na consciência de si, isto é, querer ser como Deus. Moisés guia o povo para essa experiência que ele mesmo experimentou com Deus. Porém, no caminho o povo sem se perceber, ou seja, sem tomar “Consciência de si”, acaba tendo dificuldade para adquirir uma Consciência madura.

Nessa perspectiva e no itinerário da terra prometida e da salvação, o povo entende Deus como único, primeiro e fundamento da criação. Apesar de Deus se revelar, o Mesmo acaba sendo compreendido por muitos a partir da Consciência predominante da época, isto é, a partir da visão patriarcal e dos grandes heróis da época. Toda a compreensão do povo chega na “Consciência” limitada de entender Deus como  Aquele que Reina sobre a terra inteira (Sl47,3), de braço forte, o Senhor dos exércitos (Is 9, 6). Essa “Consciência” é própria da figura de maior valor nas famílias e tradição da época. A figura de Deus como Pai (Is 9,5). Isso não se dá tão claramente no plano conceitual, mas nos atributos de Deus, pois Ele fez a toda a criação (Gn1, 1-31) e quer conduzir seu povo (Ez36, 12). Aqui observamos alguns exageros, para o tempo atual, quanto a compreensão de Deus, pois ele é concebido com um Deus que destrói os inimigos de seu Povo, os pecadores (Am9, 1-10). É um Deus que amaldiçoa e condena os que não seguem seu caminho (Ml1,1-3). É Deus julgador e vingativo.  Esses disparates configuram a “Consciência” do povo de Deus no seu percurso inicial que responde conforme sua mentalidade os conflitos da época.

A conceituação de Deus, propriamente dita, como Pai, ou melhor dizendo, “Paizinho” é nos revelada pelo Jesus Cristo, o Filho de Deus . Em Jesus nazareno encontramos uma revolução significativa na tradição. Pois Deus não é vingativo e nem julgador implacável, mas compassivo e misericordioso (Lc6,36). É um Paizinho que é puro amor e convida seus povo, pelo seu Filho, a ser expressão radical desse amor: doação da vida pela salvação humana. Por Jesus o povo da época apreende uma nova “Consciência” de si, como dom de Deus, como Filhos-adotivos- amados do Pai (Mt6, 4), que precisam cotidianamente ser misericordioso como o Pai do Céu é misericordioso para com eles. O que Jesus nos ensinou sobre Deus foi a mais revolucionária e significativa experiência para sermos Humanos. Uma “Consciência” Humana e iluminada pela luz divina foi a contribuição mais valiosa que Jesus nos ensinou.

Nos quatro Evangelhos podemos perceber o desvelar de uma nova “Consciência” anexada com a consciência de Deus Paizinho. Trata-se daquela expressada por Jesus Cristo. A consciência do Filho de Deus encarnado na História do povo (Jo1, 14) é a grande novidade dos Evangelhos. Em Jesus não só encontramos uma chamada para a “Consciência do amor fraterno”, mas ele próprio é esse testemunho revolucionário. No projeto de redenção do Filho a natureza e “Consciência” humana atinge a sua máxima plena, ou seja, atinge o ponto fundamental, metafísico e ético: no imperativo do amor (Jo15, 12). Essa lei fundamental deve nortear a “Consciência” humana. Porém ela não se desvincula da transcendência, mas só pode manter seu curso se estiver em união e integração com a “Consciência do Paizinho”, pelo Filho. Por isso a persistente interpelação de Jesus para mantermos unidos a Ele como Ele está unido ao Pai (Jo17, 21).   É necessário observarmos que embora a exigência consciencial-prática do amor humano seja limitada, a mesma se inspira a partir da propriedade de identidade divina: o amor ágape. Isto é, Incondicional. Por meio de Cristo se esclarece a “Consciência” humana para algumas características até então esquecidas como o amor-doação, o perdão, a reconciliação, a solidariedade, a inclusão, a fraternidade, a misericórdia e a salvação, ou redenção. Tal “Consciência” tão proclamada na vida e nos ensinamentos de Jesus possui duas finalidades: tornar a sociedade plenamente Humanizante e participante do Reino do Pai. Essa é a novidade revolucionária do fato Cristo tão experimentado e testemunhado pelos seus discípulos, apóstolos e disseminada até hoje.

Por fim, podemos dizer que na História do Povo de Deus há um novo deslumbramento da “Consciência”: é a abertura ao Espírito Santo. Esse novo elemento é dito e transmitido por Jesus enquanto estava com os seus (Jo13,14), porém o momento mais significativo dessa experiência é no ‘Pentecoste’ quando o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos (At11, 15) e fez com que eles compreendessem o projeto do Pai pela vida, anuncio do Filho, e anunciassem para os que estavam presente a ação amorosa de Deus. Ora, a ação do Espírito Santo na consciência dos cristãos tem a função de esclarecer, amadurecer e encontrar o sentido imanente e transcendente da “Consciência”. Desde modo, esta, mediada por inspiração do Espírito Santo, tem a possibilidade de fazer a pessoa chegar a verdade sagrada e dignificante de si (enquanto imagem e semelhança de Deus) e alcançar os caminhos da vita beata e das verdades eternas da fé cristã. A ação do Espírito na “Consciência aberta” faz a pessoa superar as limitações do tempo e espaço, isto é, faz com que o passado seja entendido no seu significado mais sagrado e dignificante: como ação do amor de Deus na História, busca e resposta humana na mesma para a plena felicidade humana. Deste modo a consciência cristã conseguiu compreender a verdade de sua história de salvação, a partir de um fato fundamental, a presença de Jesus Cristo. O hoje foi vivenciado como realização da promessa de plena realização da “Consciência” e o futuro ficou como continua plenitude da mesma consciência, até seu fim salvífico, ou seja, até a união e contemplação eterna da VERDADE, DO AMOR E DA VIDA.

Em suma, foi na dinâmica do povo de Deus nessa relação com o Pai, o Filho, Jesus Cristo, e o Espírito Santo, que este povo percorreu os diversos itinerário da “Consciência” e conseguiu uma profundidade, largueza e maturidade inigualável na sua história. A consciência do Pai é comprovada pelo Filho e a do Espírito Santo integra essa relação e impulsiona a todos para o que ainda estar por vir. É evidente que no Cristianismo a “Consciência cristã” teve seus percalços, deslizes, limites e defeitos, porém tais falhas da limitação humana não impediu o desenvolvimento e esclarecimentos da “Consciência”. O desafio é não perder de vista esse desenvolvimento e esclarecimento para termos uma realização mais profunda, mais humana e mais sagrada do nosso caminho e praticidade consciencial.

*Licenciado em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará.

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Dinheiro ou preservação?

 

Felipe Feijão

Grupo Socializando conjuntura-ambiental-areas-de-preservacao-no-brasil-2

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, jános primeiros dias de mandato autorizou a construção de dois polêmicos oleodutos criticados por ambientalistas. No mandato de Obama, um dos oleodutos ora decretados havia sido vetado justamente pelo impacto ambiental que ocasionaria.

É possível aqui relacionar essa questão política com a contemporaneidade da ética. Os teóricos atuais que desenvolvem trabalhos no campo da ética, notavelmente se destacam pelo ensaio de uma ética socioambiental, ou seja, uma teoria que descamba na prática e que é uma resposta ao momento vivido pelo mundo hodierno. Em suma, nesse sentido, a ação humana se volta para a realidade da natureza (meio ambiente e seres humanos), e diante das condições constatadas na atualidade vê a necessidade de um princípio de responsabilidade como fala o filósofo Hans Jonas.
Será que as mais variadas manifestações da natureza como desastres e desajuste do natural, alteração climática, derretimento das geleiras, desaparecimento de espécies, dentre uma imensidão, não são suficientemente capazes de alertar o homem que inclusive o próprio homem tem possibilidade de desaparecer?

Há quarenta anos Hans Jonas, em outras palavras, já explicitava um aprendizado da crise (que à época não era como hoje), e acenava para a necessidade de que a concepção crítica da natureza deve provocar mudanças na ação humana. Quando a técnica respaldada e patrocinada pela ambição desmedida de progresso no sentido de aumento do domínio do homem sobre a natureza, venda os olhos inclusive dos que detém nas mãos o poder de ajudar na minoração dos quadros ambientais enquanto condutores de potências econômicas se observa, de fato, que não se pretende mesmo com tanto tecnologia promover o bem da humanidade como um todo e a manutenção das possibilidades de sua continuada existência.

Para além de uma aparente cegueira, o ruído dos motores da civilização tecnicista tem cada vez mais destruído o meio ambiente e parece também ensurdecer o ser humano que se torna incapaz de ouvir a voz da Terra. Sobrepor a economia à preservação das diferentes formas de vida da Terra e aos alertas que quotidianamente se apresentam não como novidade ou como jogo de interesses, resulta na situação atual, que insiste em se preocupar com o aqui e o agora e com o lucro.
A conjugação ainda que em desvantagem gritante da efetivação de medidas políticas com ação responsável que preza pela preservação ambiental agonizante parece um caminho mais sensato.

A Consciência nos seus diversos percursos: caminhos para a civilização, realização e plenificação humana – I


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Isaias Mendes Barbosa[1]

Alguém já parou pra pensar: por que, na Contemporaneidade, alguns saberes são tidos como mais importante do que outros? Sem desconsidera o valor de cada saber, é no mínimo estranho encontramos no mundo midiático e no sistema educacional público um valor, quase divino, aos saberes das Ciências Exatas (Mecânica- Física- Matemática), ou derivadas, e um desprezo aos das Ciências Humanas (Filosofia-História-Sociologia-Psicologia). Em vista desta imposição preconceituosa e interesseira dos diversos meios de poder e comunicação, outra questão mais específica é surpreendente. O fato de quase não se falar de um tema tão importante e determinante para nós seres humanos: “a Consciência”.  Esta é uma questão que pouco é apresentada, meditada, refletida e debatida no tempo atual. E isso sem contar que, na cultura contemporânea, esse tema é disseminado preconceituosamente, como tema estritamente religioso, alienante, ou como tema de acusação e repressão da felicidade humana. Afim de quebrar essa visão limitada e preconceituosa que se impôs na Contemporaneidade, apresenta-se alguns pontos sobre tal tema que serão apresentados em três partes consecutivas. A primeira destaca 1) A Consciência na tradição filosófica-ocidental; a segunda explana 2) A Consciência a partir da tradição bíblico-testamentária. Por fim, na última parte destacar-se-á 3) A necessidade da Conscientização humanitária na Contemporaneidade.

 

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A Consciência na tradição filosófico-ocidental.

Se na Grécia antiga, o conhecimento era uma dádiva humana, isso não estava dissociado de três principais áreas do conhecimento, isto é, da consciência humana de si (antropologia), da ação prática e jurídica civil (sociologia-ética) e da ação do caráter humano (moral). Em Sócrates a “Consciência” atinge essas três funções de modo conjunto. Por isso se observa tanto o ponto antropológico de sujeito: “Conhece-te a Ti mesmo!”. Quem não buscava tomar conhecimento inter-relacionado a estas três áreas de saber, dentre outras, era considerado um “Idiota”, pois estava aquém da sociedade, da sua auto-consciência, filosófica-política e moral-ética. Para visão da época, os escravos eram uma das categorias de “Idiotas” porque não se conheciam, não pensavam, não tinham comprometimento social. Se de início o saber é destinado ao conhecimento do homem, isto é, a conciencização de si, e isso levava o mesmo há um compromisso com a realidade e sociedade, por que será que hoje não se fala de “Consciência” e nem de propriedades que a compõe?  A pior coisa que a humanidade pode fazer consigo é perder a sua “Consciência”, e principalmente, sua consciência moral, pois isso implica na perda da sua identidade. Porque será que não se quer falar mais de identidade da pessoa, enquanto ser humano, social e político?

Na tradição filosófica esse tema persiste sobre perspectivas distintas. Até nos Sofistas como Protágoras a “Consciência”, não é desprezada, mas elevada a sua potencialidade antropológica: “o homem é a medida de todas as coisas”, isto é, ele possui uma experiência interna que é que possibilita conhecer e definir por is mesmo a dinâmica cultural da sociedade. Platão chegou a observar a teleologia ideal humana, pela qual ele deveria reger sua consciência: o bem ideal. Aristóteles conduziu a “Consciência” para o seu caminho fundamental “o meio termo”, “o justo meio”, o equilíbrio da prática humana. Nesse percurso era possível o homem encontrar a sua eudaimonia, ou seja, a felicidade. E isso acontece por meio de uma consciência virtuosa. Da era grega clássica para a helenista temas envolvendo a “Consciência” persistem. A questão da alma, do bem, do mal, do bom, do indivíduo perpassa essa trajetória com suas particularidades. A partir desses poucos elementos constituintes da “Consciência” se poderia refletir: na realidade atual estão sendo clarificado, meditado e iluminado esses elementos próprios da “Consciência”? Quais valores virtuosos estão sendo cultivados, vivenciados e estimulados na sociedade?

Uma personagem mística e bastante significativa do advento da patrística é Dionísio, o qual é classificado de suposto autor da obra Livros das Causas. Arrisca-se aqui a dizer sobre tal obra, numa orientação metafísica antropológica, que a comunidade dos diversos seres estão em diversas relações, a tal ponto das inteligências compreenderem a si mesma a partir de uma integração  com a Inteligência fundamental, o Uno. O relevante seria observar que cada ser possui suas propriedades fundamentais em interação com outros seres. Dessa perspectiva poderíamos intuir que se cada “ser” é possuidor de diversas propriedades como sentidos, alma, corpo, inteligência, a “Consciência” Humana precisaria estar integrada nessa dinâmica.Ou seja, ela estaria nessa relação de comunicação e comunhão para se constituir enquanto tal.

Ora, no período Medieval, Tomás de Aquino amplifica e delineia outros elementos para a “Consciência”. As categorias virtuosas de Aristóteles são retomadas e são acrescentadas novas categorias que orientam a vida humana. As virtudes teologais como, a fé, esperança e caridade são acréscimos tratados por ele. Sua novidade se dá por apresentar duas categorias de “Consciência”: a) a que compreende a verdade na sua essência, b) e a que interage nas circunstâncias variantes da vida. Porém essa Consciência Humana consegue caminhar num percurso mais ordenado ora seguindo as normas da natureza humana ora superando os limites da natureza conforme as luzes espirituais. Apesar da “Consciência” se relaciona com outras faculdades além das sensitivas, existe nela uma finalidade teleológica que transcende a natureza humana e vai além da ordem e da perfeição. Nesse processo se insere novos elementos não tratados na Grécia antiga, isto é, o da graça, da “Consciência” conceitualmente dita, do livre arbítrio e dos dons espirituais. A finalidade da Consciência não só entra no campo contemplativo, mas deve se orientar a partir do bem Absoluto, Deus. Não se trata portanto de uma contradição ou submissão da “Consciência” Humana para com a Consciência Divina, mas de uma constatação da pura Verdade, do puro Bem, e da Vita Beata pela qual a humanidade deve encontrar, desde dentro de si. Nesse aspecto não há um fechamento, heteronomia ou aniquilamento da natureza e consciência humana, mas uma orientação mais rica e dignificante da “Consciência”, pois os seres humanos não só possuem em si sua natureza própria pela qual deve subsistir sua dignidade e subsistência da geração, mas fundamentalmente eles possuem os sinais e virtudes que superam tal estado natural e dignifica o ser humano a condição de semelhança divina.

Na Modernidade, Kant ressalva um elemento significativa da “Consciência” e determinante de sua condução moral, social e até política: a razão. Esta age nas faculdades sensitivas (estéticas) e do entendimento humano para uma decisão que se impõe imperativamente, sem depender das forças das circunstâncias fenomênicas, mas a partir dos princípios irrevogáveis da razão. Da subjetividade para constituição de uma universalidade da “Consciência” é preciso se considerar o imperativo categórico, isto é, os princípios universais e necessários que deve nortear o comportamento humano para a sua autonomia e felicidade. Desse modo é possível deixar uma “Consciência” da menoridade, de fato, ou seja a dependência, para outra da maior idade, a saber, a independência e esclarecimento do sujeito consciente.

Já em Giambattista Vico a “Consciência” não se caracteriza no campo da subjetividade e muito menos do relativismo ou individualismo. Neste pensador se verifica que a “Consciência” atinge sua verdade em conformidade com a certeza de cada época e em um nível coletivo determinado, providencialmente na história das nações desde os seus primórdios. Não é as faculdades do entendimento que determinar os passos fundantes da “Consciência”, mas as faculdades pré-reflexivas, como o engenho, a fantasia e a imaginação. Em Vico se apreende com um fator diferencial da consciência de todos os povos: trata-se, portanto, dos princípios metafísicos- filológicos e filosóficos- que condicionam os povos para a sua Humanidade. Sem tais princípios esta humanidade volta ao seu estado barbárico, ou seja, inumano. Portanto, em Vico é possível um retrocesso da “Consciência”, quando ela não se orienta conforme seus princípios fundamentais. A religião, o matrimônio e a sepultura são, de modo geral, tais princípios humanizantes e da Consciencivilização da sociedade.

Até aqui pode-se observar que o percurso da “Consciência” ganha suas propriedades significativas e expressivas a parti do itinerário fundamental que ela percorre, ora, num caminho para o conhecimento do sujeito, do compromisso comunitário, da ação em vista do bem e por práticas virtuosas, ora numa relação dialogal e comunitária, no âmbito da Vita Beata, da Racionalidade imperativa e, por último, da Humanização das nações. Em suma, observa-se os diversos graus e propriedades da “Consciência” que a cada passo se detém sobre um saber maior, um entendimento mais claro e na busca de amplificar seus passos, observar seus limites e orientar seus horizontes.

 

[1] Licenciado em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará.

Escola com partido

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Grupo Socializando

 

 

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Diante do afloramento do programa Escola Sem Partido é preciso expor algumas considerações concernentes à temática. A possível inclusão dessa proposta na educação brasileira tem dividido posicionamentos e opiniões. Entretanto, é necessário pela ótica do equilíbrio examinar a real situação das consequências da adoção do programa.

Propor a normatização do comportamento que os professores deverão obedecer quanto à conduta no que diz respeito à exposição de interesses, opiniões, preferências ideológicas, religiosas, políticas e partidárias, é o prenúncio do estabelecimento de um professor robô, programado estritamente para transmitir conteúdos técnicos.

Isso é preocupante porque, querer a vigência da Escola Sem Partido se assemelha ao desejo frustrado de, Inutilmente, estereotipar a dissociação da política das relações sociais. Se por um lado existem acusações de doutrinamento ideológico nas escolas, por outro lado, o que é difícil acontecer é que a transmissão do conhecimento atinja os alunos desprovida das exposições amplas e abrangentes dos professores.

Com efeito, aparentemente a própria estrutura educacional brasileira, carrega marcas diretas ou indiretas da conjuntura social na qual está inserida, daí porque a desvinculação das raízes postuladas na gênese propulsora da manutenção estrutural se torna uma hipótese patética. Felizmente, se a concepção da base construtora da educação num país encontra sua mola de impulso não somente na promoção de um ou outro governo temporal, a constatação de um alicerce firmado no livre debate das ideias se torna justificável.

Se a existência de escolas que formam máquinas para passar no vestibular, já acarreta um possível déficit nos futuros profissionais e nas futuras pessoas que se tornarão o mínimo de valorização que se pode almejar tanto nas escolas que programam máquinas quanto na escola que ainda sobrevive de valores mais humanos é a discussão, o debate e a troca de ideias. Esse deve ser o partido da escola.

Sem doutrinamento ideológico, sem professores fazendo da sala de aula um palanque, embora não haja, de fato, comprovação de tais ocorrências. Mas ainda sob a ótica do equilíbrio, é inevitável que a expressão seja postada, não somente no que se refere ao docente, mas também em qualquer exercício de outra atividade. Vale lembrar que o livre direito de expressão está assegurado e positivado constitucionalmente.

Se, no Brasil, com a liberdade que as escolas dispõem de debate, a configuração política se encontra num estado enorme de desgaste e de descrédito, será que com uma escola sem partido esse quadro seria revertido? É imprescindível tomar partido pela escola para que num futuro próximo o País não se assemelhe a sistemas governamentais fechados e ditatoriais.

O fantasma de Hitler

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Grupo Socializando

Noutro dia assisti num telejornal uma reportagem que chamava a atenção pela seriedade dos fatos apresentados. Tratava-se do movimento neonazista que é uma realidade no Sul do País. Os neonazistas cultivam os mesmos ideais doentios que foram responsáveis na II Guerra Mundial, por uma das maiores carnificinas que a humanidade já viu.

Isso é preocupante porque essa ideologia, agora, à moda brasileira se torna uma ameaça explícita respaldada no ódio pelos judeus, negros, gays e nordestinos. Não bastasse a militância favorável ao nazismo, ou seja, a cultivação da cultura nazista, esse movimento objetiva fundar um novo país.
Vale dizer que uma ideologia possui bastante força quando se encontra impregnada na mentalidade de pessoas que a aderem. Numa palavra, é a impulsionadora da instalação prática do que se defende ideologicamente. Defender o nazismo é compactuar com ideias de muito derramamento de sangue sobre o mapa da humanidade que já foram postas em prática e registradas pela história.

Ao mesmo tempo em que parece difícil acreditar que pessoas sejam favoráveis a tal postura, não menos difícil é conceber que a defesa dessas pessoas seja respaldada por uma justificação de buscarem, com atitudes absurdas, um mundo melhor. O estado de risco dos seres citados acima é a proposição dessa cultura nazista.

Imagem: Wikipédia

Outro elemento que não poderia deixar de constar nesta análise é o fator responsável pelo surgimento e também pela manutenção dessa cultura. É preciso detectar, minuciosamente, a fonte desse comportamento para que seja estancado tal extremismo justificado por um ódio sem explicação, proveniente de capítulos sombrios e horrorosos da história humana.
Não é possível que mesmo depois de tanta desgraça causada a milhões de pessoas, o objetivo e a mentalidade do homem que conduziu a humanidade para uma tremenda barbárie, continuem sendo modelos a ser seguidos.

Quanto à proliferação dessa mentalidade é necessário que se busque conhecimento do que isso gesta e do que pode gestar na sociedade brasileira. E o cuidado no que se refere a linhagens representativas que possuam um discurso alinhado a esse comportamento deve ser redobrado. Ler e reler bons livros de história e de sociologia parece também ser uma boa dica para abrir a mente.

Em tempos de movimentos que pregam o separatismo de umas regiões das outras, precisamos sim de um novo País. Mas o novo Brasil que deve, desde já, ser construído precisará dos moldes do respeito pelo diferente e da união do seu povo. A continentalidade que nos une representa em seu sentido expressivo a diversificação que nos torna singulares.

Política agora

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Felipe Feijão

Grupo Socializando

 

Imagem: Internet 

O Brasil está atravessando uma situação difícil. Essa afirmação é retratada diariamente nos jornais, na televisão e na internet. Mas parece que de uns tempos para cá, essa situação difícil piorou de uma forma crítica e lamentável. O governo provisório até então não disse a que veio, daí o discurso inaugural precisar urgentemente sair do papel e ser efetivado. A situação de instabilidade política mostra seu generoso reflexo num impasse de mudança de cargos ministeriais do dia para a noite.

Em pouco mais de um mês à frente do País, o governo Temer não possui a mesma configuração de ministérios que possuía quando tomou posse. Até agora já caíram três ministros. Isso gera, na cena política, um desenvolvimento negativo que descamba como consequência da tomada de decisão de saída dos cargos nas investigações da Lava Jato.

Numa palavra, parece que o Brasil passa por uma depressão cívica. Os ocupantes dos cargos públicos mais elevados estão sob a onda de investigação. O governo temporário parece não inspirar a esperança de que o povo brasileiro precisa para vislumbrar, nesse tempo de transição (ou não tão transição assim), novos rumos. Indubitavelmente, o que não pode acontecer é que retrocessos sejam concebidos de forma normal, muito menos que se mascarem de outros motivos não explicitados à população. Todas as conquistas já obtidas ao longo de anos, que positivamente beneficiaram o cenário social, devem ser mantidas e, além disso, aperfeiçoadas de modo que, mesmo imerso numa profunda crise, o País progrida ao invés de regredir.

Mesmo possuindo um estilo diferente do governo Dilma, o governo interino que se aparenta a um estilo de política velha conhecida, precisa reconhecer o que, socialmente através de constatações, melhorou a vida dos brasileiros. E quanto ao processo de impeachment, é melhor deixar os comentários para um momento próximo mais oportuno. A esperança de todos numa visão otimista é a de que após passar por esse percurso doloroso, o Brasil aprenda com essa crise e melhore. Em meio a todo esse caos político de impeachment, de governo interino, de queda de ministros, de pedidos de prisão, há sim alguma solução que satisfaça o restabelecimento do ordenamento num sentido ao menos na normalidade das coisas. Como diz a sabedoria popular: “há males que vêm para o bem”.
O povo está sedento de um nome emblemático que mais do que uma figura ideal represente de fato um novo rumo na história do Brasil. Com esses nomes que estão aí? Impossível!

Felipe Augusto Ferreira Feijão
Estudante

Observar o futuro

“Bandido bom é bandido morto?”

Diante do cenário de quase barbárie decretada pela insegurança pública e em meio aos progressivos acontecimentos provenientes da nova configuração ainda que intrigante constatada de sociedade emerge significativamente uma postura que carece de análise e posteriormente de possível entendimento, não para concebê-la simplesmente, mas para compreender e possuir respaldo para o debate.
Não é difícil vez por outra, encontrar nos noticiários que um indivíduo ao praticar uma ação delituosa não obtendo êxito, acaba nas mãos da população, sendo linchado e deixado à beira da morte ou mesmo não tendo aguentado as agressões.

Há quem defenda a tese de que esse comportamento é o começo para que a sociedade se veja livre de situações como essa. Há quem defenda que a justiça com as próprias mãos é a solução, posto que ou se defendem ou acabam reféns. O parecer de que não é dessa forma que se emanciparão as coisas se faz mais conciso e mais favorável, vez que basta acionar o bom senso e perscrutar a razão. A simples justificação de defesa popular, não satisfaz o gritante descompasso cometido.

É inconcebível que a utilização das próprias mãos para cometer uma outra injustiça seja compatível com o desejo ordeiro e pacífico que todos almejam. E aqui é relevante dizer que não é só o condicionamento expresso neste texto que decorre separadamente de outras circunstâncias fundamentais. A permanência estrutural de um estrato que se soma a toda uma conjuntura sistemática de situações elementares e essenciais, postulam a favor da determinação conceitual da agora injustiça com as próprias mãos.
É preciso que o Estado trabalhe profundamente na questão que aparentemente resultará na minoração de tal extremo. Indubitavelmente, este é um trabalho a longo prazo e sobretudo voltado não para a segurança propriamente dita, mas para o que gesta na sociedade uma desestruturação complexa e possuidora de várias vertentes que culminam num sentido linear.

Graças à tradição ocidental de direitos humanos que devemos a Locke e a Rousseau, estamos respaldados por uma fundamentação alicerçada nas liberdades naturais do homem. É preciso revisar tais comportamentos desprovidos de equidade e estranhos ao resultado do peso posto na balança social. O futuro nos observa, mas antes é preciso que observemos o futuro para chegarmos lá munidos de posicionamentos capazes de cicatrizar as feridas agora abertas.