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Dinheiro ou preservação?

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Felipe Feijão

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, jános primeiros dias de mandato autorizou a construção de dois polêmicos oleodutos criticados por ambientalistas. No mandato de Obama, um dos oleodutos ora decretados havia sido vetado justamente pelo impacto ambiental que ocasionaria.

É possível aqui relacionar essa questão política com a contemporaneidade da ética. Os teóricos atuais que desenvolvem trabalhos no campo da ética, notavelmente se destacam pelo ensaio de uma ética socioambiental, ou seja, uma teoria que descamba na prática e que é uma resposta ao momento vivido pelo mundo hodierno. Em suma, nesse sentido, a ação humana se volta para a realidade da natureza (meio ambiente e seres humanos), e diante das condições constatadas na atualidade vê a necessidade de um princípio de responsabilidade como fala o filósofo Hans Jonas.
Será que as mais variadas manifestações da natureza como desastres e desajuste do natural, alteração climática, derretimento das geleiras, desaparecimento de espécies, dentre uma imensidão, não são suficientemente capazes de alertar o homem que inclusive o próprio homem tem possibilidade de desaparecer?

Há quarenta anos Hans Jonas, em outras palavras, já explicitava um aprendizado da crise (que à época não era como hoje), e acenava para a necessidade de que a concepção crítica da natureza deve provocar mudanças na ação humana. Quando a técnica respaldada e patrocinada pela ambição desmedida de progresso no sentido de aumento do domínio do homem sobre a natureza, venda os olhos inclusive dos que detém nas mãos o poder de ajudar na minoração dos quadros ambientais enquanto condutores de potências econômicas se observa, de fato, que não se pretende mesmo com tanto tecnologia promover o bem da humanidade como um todo e a manutenção das possibilidades de sua continuada existência.

Para além de uma aparente cegueira, o ruído dos motores da civilização tecnicista tem cada vez mais destruído o meio ambiente e parece também ensurdecer o ser humano que se torna incapaz de ouvir a voz da Terra. Sobrepor a economia à preservação das diferentes formas de vida da Terra e aos alertas que quotidianamente se apresentam não como novidade ou como jogo de interesses, resulta na situação atual, que insiste em se preocupar com o aqui e o agora e com o lucro.
A conjugação ainda que em desvantagem gritante da efetivação de medidas políticas com ação responsável que preza pela preservação ambiental agonizante parece um caminho mais sensato.

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