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Arquivo mensal: julho 2016

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Escola com partido

Felipe Augustoservletrecuperafoto

Grupo Socializando

 

 

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Diante do afloramento do programa Escola Sem Partido é preciso expor algumas considerações concernentes à temática. A possível inclusão dessa proposta na educação brasileira tem dividido posicionamentos e opiniões. Entretanto, é necessário pela ótica do equilíbrio examinar a real situação das consequências da adoção do programa.

Propor a normatização do comportamento que os professores deverão obedecer quanto à conduta no que diz respeito à exposição de interesses, opiniões, preferências ideológicas, religiosas, políticas e partidárias, é o prenúncio do estabelecimento de um professor robô, programado estritamente para transmitir conteúdos técnicos.

Isso é preocupante porque, querer a vigência da Escola Sem Partido se assemelha ao desejo frustrado de, Inutilmente, estereotipar a dissociação da política das relações sociais. Se por um lado existem acusações de doutrinamento ideológico nas escolas, por outro lado, o que é difícil acontecer é que a transmissão do conhecimento atinja os alunos desprovida das exposições amplas e abrangentes dos professores.

Com efeito, aparentemente a própria estrutura educacional brasileira, carrega marcas diretas ou indiretas da conjuntura social na qual está inserida, daí porque a desvinculação das raízes postuladas na gênese propulsora da manutenção estrutural se torna uma hipótese patética. Felizmente, se a concepção da base construtora da educação num país encontra sua mola de impulso não somente na promoção de um ou outro governo temporal, a constatação de um alicerce firmado no livre debate das ideias se torna justificável.

Se a existência de escolas que formam máquinas para passar no vestibular, já acarreta um possível déficit nos futuros profissionais e nas futuras pessoas que se tornarão o mínimo de valorização que se pode almejar tanto nas escolas que programam máquinas quanto na escola que ainda sobrevive de valores mais humanos é a discussão, o debate e a troca de ideias. Esse deve ser o partido da escola.

Sem doutrinamento ideológico, sem professores fazendo da sala de aula um palanque, embora não haja, de fato, comprovação de tais ocorrências. Mas ainda sob a ótica do equilíbrio, é inevitável que a expressão seja postada, não somente no que se refere ao docente, mas também em qualquer exercício de outra atividade. Vale lembrar que o livre direito de expressão está assegurado e positivado constitucionalmente.

Se, no Brasil, com a liberdade que as escolas dispõem de debate, a configuração política se encontra num estado enorme de desgaste e de descrédito, será que com uma escola sem partido esse quadro seria revertido? É imprescindível tomar partido pela escola para que num futuro próximo o País não se assemelhe a sistemas governamentais fechados e ditatoriais.

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Uma esquerda latino-americana sem ecologia cairá de novo na crise dos progressismos

Correio da Cidadaniacorreio da cidadania

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Comecemos colocando com clareza algumas questões recentes nas relações entre a esquerda e o meio ambiente na América Latina: os progressismos governantes atualmente são regimes políticos distintos das esquerdas que lhes deram origem. Nessa diferenciação, a incapacidade de abordar a temática ambiental cumpriu alguns papeis-chaves. Assim, qualquer renovação da esquerda só é possível ao incorporar um olhar ecológico. Caso contrário, a esquerda voltará a cair em meros progressismos.

 

As esquerdas latino-americanas, pelo menos desde a década de 70, tiveram enormes dificuldades em aceitar e abordar a problemática ambiental. Uns viam esses temas como excentricidades burguesas importadas do norte; outros consideravam que entorpeceriam planos de industrialização; e, finalmente, estavam os que entendiam que na militância, por exemplo, nas fábricas, era inviável atender a questões ecológicas.

 

Mas também existiam alguns grupos que abordavam essas questões por diversas razões. Uns respondiam a demandas cidadãs. Por exemplo: as que partiam de organizações camponesas que denunciavam tanto injustiças econômicas como a contaminação de suas terras e águas. Outros entendiam que uma crítica radical ao capitalismo era incompleta se não fosse considerado o papel subordinado da América Latina como provedora de matérias-primas (ou seja, recursos naturais). Podem se somar outras questões, mas deve-se reconhecer que todos eles desempenhavam papeis secundários no seio da maior parte das organizações políticas de esquerda.

 

As coisas não eram melhores em nível internacional. Fosse em agrupamentos partidários ou na reflexão teórica, a questão ambiental era minimizada ou marginalizada. Houve esforços intensos para jogá-la debaixo dos tapetes. Por exemplo, um marxismo de cunho ecológico (como é a proposta de John Bellamy Foster) ou a insistência em um ecossocialismo (apontado por Michael Löwy) tiveram impactos restritos.

 

Uma mudança substancial ocorreu no final dos anos 90 e princípios da década de 2000. Boa parte do ambientalismo politicamente militante colaborou, apoiou ou participou diretamente de conglomerados das esquerdas mais amplas e plurais que lutavam contra governos conservadores e posturas neoliberais. Em vários países esses grupos ganharam eleições. Houve um aporte ambientalista nas vitórias da Alianza Pais no Equador, do PT e seus aliados no Brasil, do MAS na Bolívia e da Frente Ampla no Uruguai. Em menor medida, na Venezuela.

 

Nos planos daquelas esquerdas se incorporavam temas ambientais, em vários casos com muita sofisticação ao propor mudanças radicais nas estratégias de desenvolvimento, ordenamento territorial ou manejo de impactos ambientais. Uns quantos ambientalistas entraram nesses novos governos e desde então se lançaram algumas iniciativas dignas de nota.

 

O caso mais destacado ocorreu no Equador, onde os militantes verdes colheram algumas conquistas notáveis. Foram essenciais em instalar, por exemplo, a proposta de uma moratória petroleira na Amazônia, não apenas como defesa de sua biodiversidade, mas também como um aporte para a mudança da matriz energética. Eles também representaram um apoio chave no reconhecimento dos Direitos da Natureza na nova Constituição equatoriana, transformando-a na mais avançada do mundo nessa matéria. A esquerda dos países do Cone Sul (Argentina, Chile e Uruguai) não ponderou como devia a questão das inovações ambientais do primeiro governo de Rafael Correa.

 

Mas o problema é que essa relação entre os novos governos e a temática ambiental começou a crepitar. Esses administradores optaram por estratégias de desenvolvimento onde se priorizavam a metas econômicas, às custas de altos impactos ambientais. Suas expressões mais claras foram as monoculturas, a mineração e a exploração petroleira. Foi gerada uma relação perversa, já que à medida que mais se aprofunda esse perfil extrativista, menos podem ser atendidas as questões ambientais, e mais protestos e resistências cidadãs se acumulam. Muitos ambientalistas que estavam dentro dos governos se afastaram e os que permaneceram se desprenderam de seus compromissos com a natureza. Algo similar ocorreu em outras áreas, especialmente nas políticas sociais. É desta maneira que estava em marcha a divergência entre as esquerdas plurais e abertas iniciais e um novo estilo político, o chamado progressismo.

 

A maturação no sentido do progressismo ocorreu em todos os países. Apesar de que em alguns casos se citava Marx ou Lênin, em todos se acentuou a subordinação aos mercados globais como provedores de matérias-primas, os planos de ataque à pobreza se enforcaram, sobretudo em pacotes de assistências monetizadas, e se romperam as relações com muitos movimentos sociais. Esse progressismo não é neoliberal, mas está claro que abandonou os compromissos daquelas esquerdas iniciais em questões como a radicalização da democracia, a ampliação das dimensões da justiça e a proteção do patrimônio ecológico.

 

Hoje se admite que esse progressismo está em crise, como é evidente no Brasil, e inclusive perdeu eleições nacionais (Argentina) e regionais (Bolívia). Mas passou despercebido para alguns que nessa diferenciação entre esquerdas e progressismos a temática ambiental jogou um papel-chave. O progressismo aceitou os impactos ambientais dos extrativismos, já que priorizou como opção econômica a exportação de matérias-primas. Por sua vez, à medida que escalava a resistência cidadã a tais empreendimentos, os regimes passaram a ignorar, rechaçar e até criminalizar as organizações da sociedade que punham em evidência os impactos negativos destes extrativismos.

 

Há muita pouca da sensibilidade social de esquerda em um governo que impõe a comunidades camponesas um projeto de megamineiração ou force a entrada de petroleiras dentro de terras indígenas, ou ameace exilar membros de ONGs que alertam sobre esses impactos.

 

Os progressismos, à medida que mais se distanciam da esquerda, mais se fundem em contradições teóricas e práticas. Não se duvidou, assim, em apelar a misturas bizarras entre citações marxistas e denúncias ao imperialismo, junto de acordos comerciais com empresas transnacionais que levavam seus recursos naturais e humanos. Invocavam o povo, mas não hesitaram em criminalizar os protestos sociais e inclusive em alguns casos passaram à repressão aberta.

 

A lição destas experiências é que a ausência de uma dimensão ambiental na esquerda, na América Latina e neste momento histórico, não constitui um pequeno déficit. Pelo contrário, é um dos fatores que explica porque a esquerda perdeu sua essência para transformar-se em meros progressismos.

 

No entanto, uma esquerda própria do nosso continente deve abordar as questões ambientais porque a América Latina se caracteriza por uma enorme riqueza ecológica. Aqui se encontram as maiores reservas de áreas naturais e as maiores disponibilidades de solos agrícolas. O uso que se faz desse patrimônio ambiental não só envolve as necessidades de nossa população, mas nutre múltiplas cadeias produtivas globais com enormes repercussões geopolíticas.

 

Ademais, uma esquerda do século 21 deve ser ecológica porque a atual evidência indica, sem lugar a dúvidas, que estamos superexplorando esses recursos, que as capacidades do planeta para lidar com os impactos ambientais foram excedidas e problemas planetários como as mudanças climáticas já estão se manifestando. Portanto, pensar uma esquerda sem ecologia seria uma aposta desconectada da América Latina e da conjuntura atual.

 

Finalmente, o compromisso desta nova esquerda está na justiça social e ambiental, onde uma não pode ser alcançada sem a outra. Isto permite um reencontro com muitos movimentos sociais, um redescobrimento dos problemas reais das estratégias de desenvolvimento atuais e um chamado à renovação teórica. É por isso que nessa íntima associação entre a justiça social e ambiental estão os maiores desafios para a renovação das esquerdas na América Latina.

Eduardo Gudynas é analista da CLAES (Centro Latino Americano de Ecologia Social) em Montevidéu.

Traduzido por Raphael Sanz, do Correio da Cidadania.

Fonte: Correio da Cidadania

http://www.correiocidadania.com.br/

 

A web e a democracia da credulidade

 

IHU – Instituto Humanitas Unisinos 

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Crédulos oniscientes e conspiradores desconfiados. É o paradoxo da civilização da informação. Sabemos cada vez mais, mas entendemos cada vez menos. E a realidade nos escapa por todas as partes por excesso de detalhes. Inundados com imagens, notícias, informações, agências, newsletters, fóruns, chats, blogs, pop-ups, que a web derrama sobre nós como um rio imparável. Um download transbordante que bloqueia o nosso processador crítico.

E assim, incapazes de selecionar e de avaliar, bebemos tudo o que nos é trazido pelas correntes da internet. O resultado é que o aumento dos conhecimentos e dos progressos tecnológicos, em vez de potencializarem as defesas da razão, provocam um retorno maciço de rumores incontrolados, crenças infundadas, verdades alardeadas. E charlatanismos despudorados.

Consequentemente, o abuso da credulidade popular, que parecia coisa de outras tempos, de sociedades pré-escolares, já superada pelo progressos dos conhecimentos, está se tornando novamente um fenômeno tristemente atual. Com o favor da web, que pulula de falsos cientistas e de autênticos vigaristas. Curandeiros, vendedores, camelôs, convencedores, arruaceiros, falastrões, pregadores, mental trainers, somatopsicólogos, videntes digitais e outros traficantes de fraudes que se assemelham tanto aos impostores que enfureciam a sociedade pré-iluminista. Aqueles que vendiam em praças públicas os seus específicos, ou seja, preparados milagrosos capazes de parar o tempo, vencer as doenças, restaurar o vigor do eros, fazer ficar rico.

Como o Dr. Dulcamara, protagonista do Elisir d’amore, de Gaetano Donizetti, que se orgulha dos portentos infinitos do seu específico “simpático, prolífico, que move os paralíticos, manda para casa os apopléticos, os asmáticos, os asfícticos, os histéricos, os diabéticos”.

Até o fim do século XVI, publicavam-se tratados para alertar as pessoas contra os falsos doutores. Eles eram chamados com desprezo de “catedráticos de novas ciências”. O célebre médico romano Scipione Mercuri escreveu naqueles anos um livro intitulado Dos erros populares da Itália, em que dedica um capítulo inteiro aos imbróglios “que são cometidos contra os doentes nas praças”. Porque era justamente no lugar público por excelência que os charlatães colhiam vítimas, entre ingênuos e tolos.

E o seu contemporâneo Thomas Garzoni, na sua obra-prima A praça universal, faz um censo de 544 profissões no mundo, dos quais uma boa parte tem a ver com fraudes e falcatruas. Hoje, a praça universal se deslocalizou para a internet. Onde os charlatães, expulsos da cultura moderna, a da escola, da ciência e das universidades, vingam-se e viralizam a web. Porque, se é verdade, como diz Edgar Morin, que a rede promove uma nova consciência planetária, também é verdade que, ao menos por enquanto, a quantidade de informação disponível online é inversamente proporcional à qualidade. E corre o risco de gerar um niilismo cultural que torna difícil distinguir o verdadeiro do falso.

Como mostrado pelo sociólogo francês Gérald Bronner, a nossa democracia está se tornando a democracia da credulidade. Porque, onde a hierarquia dos saberes desmorona e o princípio de autoridade se pulveriza, povoam as explicações simples e, principalmente, monocausais de uma realidade que, ao contrário, é cada vez mais complexa e multifacetada como a contemporânea. Soluções consolatórias que nos dão a sensação reconfortante de entender alguma coisa, de saber muito, de não nos deixar enganar pelas versões oficiais dos fatos.

Quer se trate de transgênicos, vacinas, segurança alimentar, biológica, corantes, pesticidas, o mínimo denominador comum é uma síndrome de complô que provoca uma desconfiança crescente em relação a todas as autoridades, científicas ou políticas. Somos cada vez bipolares. Por um lado, desconfiados em relação aos vários especialistas, pesquisadores, professores, jornalistas ou estudiosos, e, por outro, prontos para dar fé a todos os rumores que correm na rede.

Assim, o tecido coletivo da confiabilidade e da credibilidade parece estar cada vez mais comprometido. A tal ponto que, na França, onde a ciência é uma fé, e a razão, uma religião, de acordo com um estudo recente, 43% das pessoas pensam que a pesquisa envolve mais riscos do que benefícios.

E, a partir de uma pesquisa da Gallup, deste ano, emerge o fato de que a confiança dos cidadãos estadunidenses nas instituições passou de imponentes 80% dos anos 1960 para alarmantes 10% de agora.

Política, religião, jornais, televisão, escola, universidade, indústria. Não se salva ninguém. Só estão piores os revendedores de carros usados. E cresce exponencialmente o preconceito anticientífico, especialmente sobre temas que tocam teclas sensíveis como a saúde. O caso mais emblemático é o das vacinas, que, depois de nos ter libertado de tantos males, são apontados como a causa de outros tantos males. Uma demonização irrazoável que começou em 1998, quando, de forma incauta, foi publicado na Lancet um artigo infeliz, que depois se revelou fraudulento, do ex-médico Andrew Wakefield, que defendia a existência de uma correlação entre a difusão da vacina trivalente MMR e o aumento do autismo. Era tudo uma farsa.

Mas, apesar das desmentidas do General Medical Council britânico e o repúdio da própria Lancet, que removeu o texto, as vacinas entraram em colapso. Na realidade, parece que o verdadeiro propósito da publicação era o de lucrar com uma vacina alternativa patenteada pelo novo Dulcamara.

Além disso, a Court of Protection inglesa constatou que a mãe de uma das crianças autistas na origem do caso mentiu. Mas o inefável Wakefield voltou recentemente às honras da crônica com o documentário autocelebrativoVaxxed: From Cover-up to Catastrophe [Vacinados: do acobertamento à catástrofe], que, em abril, deveria abrir oTribeca Film Festival, de Nova York, dirigido por Robert De Niro, compreensivelmente sensível ao tema por ser pai de um menino autista. Mas a fraude foi desmascarada por um grupo de cientistas, e De Niro cancelou o filme.

Porém, o risco da vacina, para muitos, tornou-se um dogma 2.0. Até porque são muitos que pensam que, por trás disso, estão apenas os interesses das empresas farmacêuticas. Assim, um mapa de falsas evidências e de pseudoconhecimentos corre o risco de anabolizar a web, tornando difícil distinguir entre verdade e impostura. A todos nós cabe a tarefa de civilizar a rede, fazendo-a sair do estado de natureza digital.

Marino Nicola, antropólogo italiano, professor da Università degli Studi Suor Orsola Benincasa, emNápoles, Itália. O artigo foi publicado no jornal La Repubblica, 20-07-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Fonte: IHU

Matemática sem Partido

Correio da Cidadaniacorreio da cidadania

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– Bom dia, professor, aqui é Luíza, do Departamento de Desideologização de Material Didático da editora.

– Bom dia, Luíza. Em que posso ajudar?

– É sobre algumas modificações que precisamos que sejam feitas no seu livro.

– Mas eu sou professor de matemática, filha…

– Sim, mas tem uns problemas.

– Meu livro é para o ensino fundamental…

– Então. O seu caso é simples, o senhor vai ver.

 

– Fale…

– Logo no início, nos exercícios de adição. Tem o exercício 6 na página 23, “João não conseguia dormir, então começou a contar os carneirinhos que, na sua imaginação, pulavam uma cerca”.

– E qual o problema?

– O problema é que os carneirinhos pulando a cerca são uma crítica velada aos enclosementsingleses e uma referência à acumulação primitiva do capital. Propomos mudar para “franguinhos entrando no navio, que o pujante agronegócio brasileiro exporta para a Europa”.

– Ninguém conta frangos para dormir.

– Justo, por causa da ideologia que sataniza o produtores rurais que põem comida na nossa mesa. Tem outro, mais para frente, na página 32, o exercício 7 diz que “Rita tinha 18 bananas e comeu 4”. Bananas é uma referência ao Brasil como uma Banana Republic, não pode.

– Troca por laranjas.

– Aí seria uma crítica aos prestadores de serviço financeiros que ajudam os empresários a impedir que o governo tome seu dinheiro através dos impostos. Trocamos por abacaxis.

– Abacaxis? Ninguém come quatro abacaxis.

– Sim, também trocamos “comeu 4” por “vendeu 4 livremente realizando um justo lucro por seu esforço”.

– As crianças de 8 anos vão entender isso?

– Vão entender se for explicado, se a ideologia deixar de ocultar delas como as relações comerciais fazem justiça a quem produz.

– Ah, tá. Mais alguma coisa?

– Tem mais umas coisinhas, eu mando por e-mail. Mas o mais grave é a parte final do livro. Precisamos marcar uma reunião para rever os capítulos 7 e 8.

– Divisão?

– Isso. Divisão é um conceito marxista que não pode ser usado para doutrinar as criancinhas.

– Mas como as crianças vão aprender aritmética sem divisão?

– Nossos especialistas estão finalizando uma proposta. A ideia geral é mostrar que a divisão pode ser correta, desde que a operação reflita que, por exemplo, 100 reais divididos por 100 pessoas resultem em 99 reais para uma e o real restante dividido entre as outras 99.

– Mas isso acaba com a Matemática!

– Acaba com a Matemática Igualitária e Comunista que imperou até hoje, professor, e a substitui por uma matemática mais justa! Já temos até um projeto de lei para ser apresentado ao Congresso, tornando obrigatório o ensino da Matemática Meritocrática!

 

“Paulo Candido é apenas um observador inocente. Vive no Rio, onde faz samba e amor até mais tarde”.

Fonte: Correio da Cidadania

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O que aconteceu na Turquia? Por que os militares tentaram tomar o poder?

Opera Mundi

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Após uma série golpes militares reais no passado, o povo turco agora reage a qualquer sinal de intervenção militar com a mesma preocupação imediata de um paciente pós-câncer que descobre um pequeno nódulo

O que aconteceu? O que precisamos saber?

Na noite de 15 de julho, um grupo de soldados turcos assumiu o controle de várias instituições em Istambul e Ancara, no que parece ter sido uma tentativa de golpe mal planejada. As forças policiais – auxiliadas por um grande número de cidadãos ordinários turcos– conseguiram frustrar o golpe. Chamados às ruas pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, enormes grupos de homens tomaram as ruas para impedir as unidades do exército de entrarem em prédios governamentais. O golpe foi declarado encerrado na manhã do dia 16 de julho.

Então, o povo turco apoia o presidente Erdogan?

Graças a uma longa história de golpes militares, o ódio do povo turco a intervenções militares é muito maior do que sua aversão ao seu líder autocrático. Turcos de todos os espectros políticos compartilham o mesmo sentimento de que até uma péssima democracia é melhor do que um governo militar.

Por que os militares tentaram tomar o poder?

A explicação muda de acordo com em quem você escolhe acreditar.

Uma declaração supostamente feita pelos militares alega que seu propósito era “reinstituir a ordem constitucional, a democracia, os direitos humanos e as liberdades”. Porém, o presidente Erdogan e sua rede midiática pró-governo bombardearam o povo turco com alegações de que o golpe foi obra de um grupo clandestino, que teria infiltrado todos os órgãos estatais, organizado por um clérigo muçulmano chamado Fethullah Gülen, que é aposentado e vive na Pensilvânia. Pouca evidência sólida dessa conspiração foi apresentada até o momento.

Gülen negou qualquer envolvimento. De fato, ele e outros grupos oposicionistas alegam que o golpe foi, na verdade, orquestrado por Erdogan como desculpa para subjugar a oposição política e definitivamente mudar o sistema governamental da Turquia para uma presidência executiva (o que, na prática, tornaria Erdogan um sultão moderno). Essa explicação também não é inteiramente convincente – a alegação de que Erdogan planejou um falso golpe contra seu próprio governo para extirpar a oposição de dentro do exército e do Supremo Tribunal é muito grande para se levar em conta.

O que o povo turco acha?

A Turquia está extremamente polarizada. Metade a população acredita em qualquer coisa que o presidente diga, enquanto a outra metade tende a acreditar no oposto. Posições a favor e contra o regime de Erdogan tornaram-se tão enraizadas que não há como convencer qualquer lado com evidência e lógica.

Erdogan é como quiabo: algumas pessoas o amam intensamente; para outras, ele é nojento. Ninguém na Turquia é imparcial quando se trata do presidente.

De onde vem essa divisão na opinião pública?

Clivagens sociais tradicionais na Turquia incluem religiosos contra laicos, turcos contra curdos e periferias pobres contra centros urbanos ricos. Junto com a Primavera Árabe e a investigação de corrupção de 2013, surgiu uma nova cisão: pró-Erdoganismo e anti-Erdoganismo.

O ponto culminante dessa separação ocorreu em maio de 2013. Erdogan queria demolir um parque da era republicana na praça Taksim de Istambul e reconstruir um quartel da era otomana, que também incluía uma mesquita. Apesar de a Praça Taksim ser um símbolo do kemalismo secular de esquerda, muitas pessoas religiosas juntaram-se ao que, depois, ficou conhecido como a Revolta do Parque Gezi para preservar o parque como ele é. Naquele momento, secularistas, kemalistas, curdos, alevitas e grupos religiosos – incluindo o Movimento Gülen – cristalizaram sua coalizão contra Erdogan.

Infelizmente, esse setor da sociedade turca só é capaz de concordar em sua oposição a Erdogan, e em nada mais. Portanto, eles não foram capazes de criar uma aliança política que pudesse diminuir o forte controle dele sobre o poder.

Fonte: Opera Mundi

http://operamundi.uol.com.br/

 

Escalada do terror

Felipe Augusto servletrecuperafoto

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Os últimos dias se têm mostrado cheios de acontecimentos tumultuosos. O terrorismo voltou a dar seu recado na França. Na Turquia houve tentativa de golpe de Estado. Em Fortaleza, morte de policiais e incêndio de vários ônibus. Estamos em meio a tudo isso, anestesiados num estado de alerta ameaçador e preocupante.

Faltando pouco mais de duas semanas para as olimpíadas do Rio, não se descarta o medo de um ataque terrorista ao País. Com todas as atenções voltadas para cá, turistas e impressa em peso, um atentado seria um prato cheio para quem parece buscar holofotes. Infelizmente, o objetivo obscuro e trágico, da ideologia terrorista, segue causando vítimas e mais vítimas.

A força silenciosa e o poder camuflado desses grupos resultam numa ação eficiente e devastadora. E a estratégia bem organizada e programada concede sua proliferação e chama a atenção de jovens sedentos de um ideal revolucionário. Combinação que até agora tem dado certo.
Uma vez em campo, os terroristas cumprem seu objetivo. Ao mesmo tempo em que é preciso entender que há todo um contexto social em que os indivíduos componentes se encontram imersos, faz bem saber que existem simpatizantes e ingressantes provenientes de outras culturas, posto que a ideologia terrorista não faz distinção de nacionalidades, religiões ou povos. Todos que não fizerem parte do seu propósito são inimigos.

Imagem: Internet 

O terrorismo é um dos muitos pesadelos atuais. Um pesadelo que cada vez mais está se tornando realidade. Indubitavelmente, é preciso que as forças de segurança estejam preparadas e que a segurança seja reforçada nos lugares que estão sob alerta.

Entretanto, essa solução é momentânea e superficial. Há algo bem mais profundo e complexo que impulsiona essa onda de barbárie. A profundidade abstrusa não será estancada da noite para o dia nem com polícia ou exército. Os dados gritantes que estão aí apontam para um estado de alerta global. Infelizmente, estamos reféns do terror.

Se a perca dos territórios invadidos estava sendo motivo para considerar o enfraquecimento do Estado Islâmico, os últimos atentados mostram que não, o EI está ficando mais forte e mais expansivo. O EI ocupa territórios, tem infraestrutura, tem armas, então é preciso confrontá-los. E depois combater a ideologia radical e fundamentalista que é o alicerce do EI.

A carência mundial de novas ideias revolucionárias, quando encontra aparato em extremismos como esse, se preenche. E essa luta do “bem” contra o “mal” seduz, sobretudo, os jovens. É preciso barrar a escalada do terror, antes que novos objetivos sejam alcançados.

O Brasil é viável?

 Correio da Cidadania correio da cidadania

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O Brasil tem grandes extensões de terras férteis e um clima muito favorável para a agricultura. Suas reservas de minérios de valor estratégico são das maiores do planeta e as fontes renováveis de energia colocam o país em posição privilegiada.

 

Antes da desindustrialização promovida a partir de 2003, a indústria brasileira era diversificada e integrada e o país tinha estabelecimentos industriais detentores do certificado de qualidade ISO 9000 em maior número do que a Argentina, Uruguai e Chile somados.

Em 2014, o PIB brasileiro foi estimado pelo IBGE em cerca de 1,2 trilhão de reais, o que situava a economia do país entre as 7 maiores do mundo.

Contudo, naquele mesmo ano, o PNUD (programa da ONU para o desenvolvimento) colocou o Brasil em 75º lugar numa lista de 177 países classificados pelo IDH (índice de qualidade de vida). Nessa lista, o Brasil fica em posição inferior à de países como Cuba, Tonga, Panamá e Malásia.

Nos últimos três anos a economia brasileira definhou, o país desindustrializou-se e a qualidade de vida piorou a ponto de se refletir nos cada vez mais frequentes episódios de guerrilha urbana a que temos assistido. Não é exagerado dizer que o Brasil tem-se afundado ainda mais num abismo de índole ética, econômica e social.

Para escapar desse abismo devemos, antes de tudo, aceitar a triste realidade e reconhecer que o país tem sido governado por políticos incapazes e corruptos – e que, com políticos assim, nenhum será viável. Jamais!

Refiro-me, aqui, à grande maioria dos políticos, não importa de que orientação partidária, se é que no Brasil de hoje existe alguma orientação partidária, que não seja a de mesquinhos interesses particulares e paroquiais.

Acredito que a causa primeira do atraso brasileiro é a deficiência do ensino em níveis básico e médio, que deságua na pobreza cívica, moral e cultural, manifestada na má qualidade dos políticos e no despreparo dos eleitores para escolher bons representantes.

Tal situação é especialmente inquietante porque tem a dinâmica de um círculo vicioso, uma vez que o ensino depende de programas elaborados no Ministério da Educação e de orçamentos aprovados pelo Congresso, ficando, portanto, à mercê de políticos quase sempre desqualificados para as funções que exercem.

Despreparados para lidar com as grandes questões da sociedade e da economia, os políticos tratam prioritariamente de seus interesses particulares, que consistem em assegurar a própria sobrevivência política, para garantir a afluência de seus familiares e vantagens para os seus pequenos mundos. Então, com o objetivo de se enraizarem no centro do poder (Brasília) partem para fazer o que, impropriamente, chamam de articulação política, o que não raro significa criação de partidos de aluguel, para receber polpudas verbas do Fundo Partidário e nada realizar que seja de interesse para o país.

E pior, apelam para a torpe barganha conhecida como toma lá, dá cá que, em última análise, está na origem de medidas despudoradamente tomadas em benefício próprio, como esse aumento salarial que acabam de propor, que custará cerca de R$ 60 bilhões aos cofres públicos.

Cada partido de aluguel desses sempre tem no parlamento pelo menos um representante pronto a vender seu voto, contribuindo para desvirtuar o papel do Congresso e desfigurar a democracia.

O fato é que o Brasil não se desenvolverá enquanto o Poder Legislativo não for capaz de entender a realidade brasileira, a fim de formular leis baseadas em projetos do Poder Executivo, visando à definição de uma verdadeira política de desenvolvimento nacional, com objetivos setoriais coerentes e realistas, a serem buscados – nos casos de serviços públicos (eletricidade, transportes e comunicações, abastecimento de água etc.), por parcerias público-privadas e – para a produção de bens de capital e de consumo; e serviços pessoais – por empresas privadas, apoiadas pelo governo e obedecendo a rigorosos critérios de qualidade e competitividade.

É desnecessário assinalar que nada disso deve depender de propinas, nem do descarado toma lá, Dá cá, usual em Brasília.

Afora um pequeno grupo de parlamentares dignos e diligentes, a Câmara é dominada por umCentrão, submetido a um sodalício de malfeitores, que até recentemente eram chefiados por um psicopata cínico e frio, que se tornou célebre por sua expertise nos ramos da extorsão de propinas, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e ocultação de patrimônio.

Ao que se diz, o poder desse delinquente vinha de um sórdido jogo de chantagens, em que ele sabia (e sabe) tudo sobre os políticos de Brasília – e estes sabem que ele sabe tudo a seu respeito. Assim, foi só depois de oito meses de manobras ignóbeis promovidas pela tropa de choque desse chantagista que o Comitê de Ética da Câmara aprovou a cassação de seu mandato.

Entretanto, misteriosamente, a sua influência em Brasília permanece alta, inclusive junto à Presidência da República, pelo que se depreende do fato de que ele mantém como presidente interino da Câmara um deputado insignificante, despreparado e mesmo grotesco. E, ainda, colocou na liderança do governo naquela casa um réu em três ações penais – e acusado em outras tantas, sendo uma por tentativa de assassinato.

Pois são esses biltres que, ao serem pilhados em suas patranhas, sempre responsabilizam a “imprensa golpista”, como eles costumam chamar as vozes de qualquer oposição…

Ora, é óbvio que partidos de aluguel, tropas de choque e políticos alienados, alguns; ou primitivos e embusteiros, quase todos – como aqueles que, em burlesca sessão da Câmara,votaram “sim” pela destituição da presidente, nunca entenderão nada nem proporão leis que não sejam do mesquinho e imediato interesse de seus pequenos mundos.

De fato, naquela sessão, pouquíssimos foram os deputados que votaram com base em argumentação objetiva e convincente. A esmagadora maioria invocou “argumentos” tais como “sim, pela honestidade do meu pai e do meu avô” ou “sim, pela felicidade do meu neto, que vai nascer daqui a um mês”, ou, ainda, “sim, pelo povo da minha (cidadezinha que ninguém conhece)” etc. etc. Nenhum dos votantes parece ter percebido que esses “argumentos” nada tinham a ver com o objeto da votação, podendo ser usados para “aprovar” ou “desaprovar” qualquer coisa…

E, como numa ópera bufa, poucos dias depois daquele ridículo espetáculo, soube-se que o pai do deputado que se tinha vangloriado da “honestidade de seu pai” acabava de ser preso em Minas Gerais, acusado de cobrar uma propina de um milhão e meio de reais, quando foi secretário do governo do senhor Anastasia!

Quanto ao Poder Executivo, numa lista de mais de 20 ministros, contam-se nos dedos de uma mão aqueles honrados e competentes. Os outros são leigos e ignaros – ou ostentam prontuários que ficariam melhor num arquivo policial do que numa lista de ministros. Assim, nenhum país poderá ser viável!

Sobra o Poder Judiciário, que vem cumprindo dignamente a sua missão. Talvez esteja aí a chave para a viabilização do Brasil e sua entrada no grupo dos países desenvolvidos.

Para isto, o Supremo Tribunal Federal deveria exercer, em regime de exceção, o seu papel de Corte Constitucional, com poderes acrescidos para atuar no sentido de promover uma reforma constitucional.

A partida para isto seria dada pela cidadania, por meio de uma campanha semelhante à que deu origem à Lei da Ficha Limpa, com uma petição assinada por mais de um milhão de cidadãos e enviada ao STF através da Avaaz.com (comunidade de campanhas online), por exemplo.

Tal iniciativa – uma vez amplamente divulgada pela mídia – poderia levar aquela corte a considerar seriamente a proposta de suspender imediatamente os mandatos de todos os parlamentares fundamentadamente acusados de fraudes, até que o Ministério Público e a Polícia Federal completassem as investigações e o próprio STF os julgasse, para eliminar definitivamente os culpados.

Os que ficassem teriam a responsabilidade de estabelecer normas rigorosas para a quantificação e justa distribuição dos recursos do Fundo Partidário – e de instituir uma cláusula de barreira, para limitar o número de partidos representados no Congresso.

Em seguida, o próprio STF criaria um Grupo de Trabalho formado por alguns (poucos) juristas e cientistas políticos conhecidos e respeitados na Academia.

Este Grupo de Trabalho elaboraria um projeto de reforma constitucional e de leis complementares, voltadas para uma reforma política, incluindo uma nova lei eleitoral.

Tal projeto seria submetido às comissões de constituição e justiça da Câmara e do Senado para pequenos ajustes, respeitando normas e regras previamente estabelecidas pelo STF,  para que se não desfigure – em função de interesses paroquiais, corporativos ou pessoais – o projeto original, preparado pelo Grupo de Trabalho.

Joaquim Francisco de Carvalho é engenheiro, com licenciatura em física, mestre em Energia Nuclear e doutor em Energia.

Fonte: Correio da Cidadania

http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=11765:2016-06-23-13-48-27&catid=25:politica&Itemid=47